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Após encontro com Bolsonaro e com Ministro da Saúde, Conselho de Medicina autoriza hidroxicloroquina no início da Covid-19

Após encontro com Bolsonaro e com Ministro da Saúde, Conselho de Medicina autoriza hidroxicloroquina no início da Covid-19


O Conselho Federal de Medicina (CFM) entregou hoje ao presidente Jair Bolsonaro um parecer em que autoriza médicos a receitar hidroxicloroquina no tratamento de covid-19. O texto pondera, no entanto, que não há evidências científicas sobre resultado do uso da droga e, por isso, os médicos devem alertar os pacientes que ela poderá não trazer benefícios e que pode provocar efeitos colaterais.

Em entrevista coletiva após o encontro com Bolsonaro e o ministro da Saúde, Nelson Teich, o presidente do CFM, Mauro Ribeiro, reiterou que o posicionamento do conselho é de dar autonomia aos médicos, ponderando que não há resultados comprovados sobre o uso.

“Não é uma recomendação. O Conselho Federal de Medicina não recomenda o uso da hidroxicloroquina. O que nós estamos fazendo é dando ao médico brasileiro o direito de, junto com o paciente, em decisão compartilhada com o paciente, utilizar essa droga”, pontuou. “É uma autorização, mas não é recomendação, isso é muito importante ficar bem claro.”

Segundo Ribeiro, a decisão de autorizar o uso de hidroxicloroquina sem comprovação científica só está ocorrendo por vivermos uma situação atípica, de uma “doença devastadora”.

Existem inúmeros relatos observacionais na literatura, o médico trata um grupo de 20, 30, 40 pacientes [como hidroxicloroquina] e relata melhora naqueles pacientes. Nós não podemos desprezar a situação no momento devido ao quadro sui generis que nós estamos passando, de uma doença totalmente desconhecida. Em outra situação, muito provavelmente o CFM não liberaria o uso da droga”, argumentou.

Os médicos poderão ministrar a droga tanto em casos críticos como no início do diagnóstico, desde que o paciente ou seus familiares concordem. O CFM autoriza que o medicamento seja ministrado fora de ambiente hospitalar, desde que haja acompanhamento de um médico. Só não é permitido o uso de forma preventiva.